Durante a cerimónia, o embaixador José Filipe destacou o contributo do Reino de Marrocos para a luta de libertação de Angola. “O apoio marroquino antecede o próprio nascimento do Estado angolano”, disse, recordando a passagem de Agostinho Neto por Tânger e Rabat, em 1962, num contexto em que “Marrocos acolheu dirigentes e combatentes angolanos numa fase crítica da luta e abriu espaço para acções de formação e apoio logístico”. O diplomata assinalou ainda que o simbolismo de todo o contributo foi reafirmado com a condecoração póstuma ao Rei Hassan II, recentemente atribuída pelo Presidente da República, João Lourenço.
O Governo marroquino esteve representado por Abdellah Boutadhart, director para os Assuntos Africanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Africana e dos Marroquinos Residentes no Estrangeiro do Reino de Marrocos, que felicitou Angola pelos 50 anos da Independência e destacou o significado da homenagem.
“A condecoração póstuma ao Rei Hassan II honra o contributo do saudoso Soberano para a Independência de Angola, mas também reflecte o seu empenho em prol da liberdade, da paz e do desenvolvimento do continente africano”, afirmou o responsável marroquino, que vê na distinção um “reforço da memória comum”.
“Marrocos e Angola são dois pólos de estabilidade em África, porque desempenham esse papel nas respectivas regiões e no seio da União Africana”, afirmou o representante do Governo marroquino, para além de reforçar que essa condição confere aos dois países uma responsabilidade particular na promoção da paz e da estabilidade nas diversas regiões do continente.
Abdellah Boutadhart sublinhou, ainda, a profundidade dos laços históricos e a revitalização da cooperação bilateral, tendo igualmente destacado o ambiente cultural da celebração como “expressão da riqueza civilizacional angolana”.
Já no domínio da cooperação concreta, José Filipe afirmou que Angola procura aprofundar os laços históricos com o Reino de Marrocos e envolver o país magrebino no esforço comum de construção nacional, com prioridade para os sectores agrícola, logístico, energético e da transformação industrial, num contexto de retomada dos mecanismos bilaterais existentes. Como exemplo, destacou o acordo de fornecimento de fertilizantes assinado em Agosto último, com vigência de cinco anos, que estabelece o envio anual de 180 mil toneladas para Angola, num montante global de 500 milhões de dólares.
Segundo o chefe da Missão Diplomática, esse processo de redinamização da cooperação com o Reino de Marrocos “reflecte a tradição angolana de boa convivência política e de busca de resultados mutuamente vantajosos”, sublinhando que Angola continuará a privilegiar relações assentes na igualdade, reciprocidade e respeito pelos dois povos.