• ANGOLA REAFIRMA COMPROMISSO COM INOVAÇÃO DIGITAL NO SISTEMA DE SAÚDE


    O Secretário de Estado da Saúde para área hospitalar, Leonardo Inocêncio, reafirmou em Rabat, o compromisso de Angola com a inovação digital no sistema de saúde pública.

    O governante teceu estas considerações quando discursava em representação da Ministra da saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, na cerimónia de abertura do Congresso HealthTech 2026, um grande evento científico, co- organizado pelo Centro Africano de Treinamento Administrativo e Pesquisa para o Desenvolvimento (CAFRAD), em parceria com a Sociedade Marroquina de Saúde Digital (SMSD) e a Universidade de Tecnologia de Troyes (UTT).

    Diante de decisores políticos, especialistas, parceiros de desenvolvimento, e representantes de vários países, Inocêncio Leonardo defendeu que em Angola o sistema de saúde está hoje plenamente integrado nos instrumentos de planeamento estratégico, nomeadamente no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027 e na Estratégia de Longo Prazo Angola 2050, reflectindo uma opção política clara por sistemas de saúde mais modernos, eficientes e inclusivos.

    Nesse contexto, segundo disse, foi desenvolvida a plataforma digital ReDIV para o registo individual e em tempo real da vacinação, inicialmente utilizada durante a resposta à COVID-19 e actualmente aplicada em todas as campanhas nacionais de vacinação, incluindo contra a poliomielite, o sarampo e o vírus do papiloma humano. A digitalização do registo das doses administradas permite monitorizar a cobertura vacinal quase em tempo real, identificar rapidamente lacunas, ajustar estratégias operacionais e reforçar a responsabilização em todos os níveis do sistema. Esta capacidade tem sido determinante para alcançar crianças e adolescentes que, historicamente, ficavam fora dos programas de vacinação, contribuindo de forma concreta para a redução das desigualdades no acesso à prevenção.

    O Governante angolano citou um outro avanço estrutural relevante que o país vive no sector com a implementação, a nível nacional, de um sistema digital de gestão de stocks de vacinas, medicamentos e insumos médicos em tempo real, através da plataforma IOTA, que assegura uma visibilidade contínua dos níveis de stock desde os armazéns centrais até às unidades sanitárias periféricas, permitindo antecipar rupturas, melhorar a planificação logística e garantir a continuidade dos serviços de saúde.

    “Paralelamente, estamos a desenvolver a interoperabilidade destas plataformas com o sistema nacional de informação em saúde, baseado no DHIS2, reforçando a recolha, o armazenamento, a análise e a utilização estratégica da informação para a definição de políticas públicas e a tomada de decisão informada”, admitiu Inocêncio Leonardo.

    Para esta Conferência, o Secretário de Estado da Saúde partilhou a experiência de Angola com a expansão da telemedicina, afirmando que, num país de grande dimensão territorial e com desafios significativos na distribuição equitativa de especialistas, a telemedicina tem permitido aproximar o conhecimento clínico especializado das unidades sanitárias periféricas e dos doentes. Através de soluções de teleconsulta, telediagnóstico e apoio clínico à distância, temos melhorado a qualidade da assistência, reduzindo a necessidade de deslocações dispendiosas e reforçado a capacitação contínua dos profissionais de saúde. Esta abordagem tem contribuído para um sistema mais integrado, mais resiliente e mais justo, no qual o local de residência deixa progressivamente de ser um factor determinante no acesso a cuidados especializados.

    Ao finalizar, destacou outra área que simboliza a ambição de Angola em alinhar-se com as fronteiras mais avançadas da inovação médica: a cirurgia robótica à distância.

    Conforme citou, Angola fez história ao tornar-se no segundo país da África Subsaariana a introduzir a cirurgia robótica no Sistema Nacional de Saúde, assumindo-a como uma ferramenta estratégica que, ao longo da próxima década, será uma aliada central para garantir o acesso à cirurgia segura e de qualidade.

    Inocêncio Leonardo, acrescentou que, em 2025, foi realizada com sucesso uma cirurgia com comando robótico operado a uma distância de cerca de 17 mil quilómetros, a partir de Orlando, nos Estados Unidos da América, com o apoio de uma equipa de profissionais angolanos no terreno. Esta intervenção foi realizada no âmbito do ANGOTIC 2025, fórum internacional de tecnologias de informação e comunicação realizado em Luanda, e simbolizou um passo decisivo na integração de soluções digitais avançadas nos serviços de saúde de Angola, demonstrando que a inovação tecnológica pode ser adaptada à realidade africana com segurança, responsabilidade e visão de futuro.

    A Conferência de Rabat, decorreu de 10 a 12 de Fevereiro sob o lema "Aproveitando a Tecnologia para a Equidade em Saúde: Aproximando as Lacunas, Empoderando Comunidades", e destacou os grandes avanços em inteligência artificial, telemedicina, big data, robótica médica e governança ética no campo da saúde.

    Este importante evento pretende ser um marco estruturante e um catalisador para o impulso político necessário para encontrar soluções tecnológicas que possam reduzir desigualdades no acesso ao atendimento e acelerar a transformação dos sistemas de saúde em todo o continente.

    Nesse espírito, a razão deste Congresso está na necessidade de apoiar a rápida evolução da saúde digital e da medicina inteligente diante dos desafios de saúde, tecnológicos e socioeconómicos enfrentados pelo continente africano, ao mesmo tempo em que se cria um espaço de produção científica de alto nível que promova a disseminação e transferência de conhecimento na inovação em saúde.